segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O engenheiro de computação Elifas Gurgel aposta em Kits de conversão para carro elétrico por R$ 13 mil

Conversão é a solução? Um engenheiro diz que sim
Herdeiro do sobrenome Gurgel aposta em kits de R$ 13 mil para popularizar carro elétrico

http://www.clubedocarroeletrico.com.br/

François Calil/Divulgação


Elifas posa ao lado de seu Gol G4 elétrico; kit de conversão pode estar à venda em dois anos

O engenheiro de computação Elifas Gurgel, de 56 anos, não conheceu o mais ilustre representante de sua família no Brasil, o industrial João Augusto Conrado do Amaral Gurgel (1926-2009), um dos pioneiros na construção de carros 100% nacionais.

Hoje, os veículos da marca Gurgel são objetos de colecionador. À sua maneira, no entanto, Elifas dá continuidade ao legado do parente distante e desconhecido. Há cinco anos, o engenheiro de Brasília se dedica a viabilizar o carro elétrico no Brasil, ecoando a iniciativa de Gurgel, que, em 1974, apresentou o Itaipu, primeiro automóvel movido a eletricidade da América Latina.

Embora conheça o tamanho do desafio à frente - altos custos, falta de matéria prima nacional, descrédito e pouco apoio -, Elifas, que é ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), diz ter total fé no projeto.

- Além de não poluir, o carro elétrico é 75% mais econômico do que os modelos com motor a combustão.

Mas, se nem nos países mais desenvolvidos do mundo o carro elétrico pegou de verdade, como Elifas pretende fazer isso funcionar no Brasil? A resposta está na ponta da língua.

- Kits de conversão. Eu já tenho a empresa constituída para começar a produzir, mas ainda é preciso despertar nos investidores a noção de que é importante aplicar dinheiro no ambiente, na saúde das pessoas.

Gol G4 elétrico 
Aos céticos quanto ao funcionamento desse kit de conversão, Elifas apresenta não uma ideia, mas sim um carro elétrico de verdade, um VW Gol G4 que ele mesmo converteu e que roda todos os dias pelas ruas do Distrito Federal.

Segundo o engenheiro, fundador do Clube do Carro Elétrico, quase todos os veículos compactos modernos poderiam ser convertidos para funcionamento elétrico.

- O que eu fiz foi transformar uma estrutura já existente e adaptar ao funcionamento com motor elétrico. O aço e a leveza do carro já são adaptados.

O Gol G4 elétrico de Elifas tem autonomia de 150 km, pouco a menos do que os 170 km rodados pelo Nissan Leaf. O tempo para uma recarga completa é de oito horas e o custo do quilômetro rodado com eletricidade é de fazer inveja: R$ 0,07. De acordo com o dono do veículo, o Golzinho deixou de emitir 2,5 toneladas de CO2 na atmosfera durante os 15 mil km já percorridos.

A composição do kit de Elifas é mais simples do que parece. Para converter um carro, ele diz que são necessários apenas o motor elétrico, as baterias (de chumbo ou íon/lítio), o inversor (componente que controla a aceleração), os sistemas de gerenciamento, o carregador e a parte eletrônica.



Elifas exibe motor elétrico de seu Golzinho convertido; ao lado, mostradores de carga das baterias (CB Rio)

Consumidor final e fábricas 

O objetivo de Elifas é ter sua fábrica de kits de conversão entregando as primeiras encomendas em até dois anos. A ideia é instalar a empresa em Fortaleza (CE) para usufruir de possíveis parcerias com a Companhia Energética do Ceará e com o Banco do Nordeste. De acordo com o engenheiro, o produto pode atender tanto ao consumidor final quanto às grandes montadoras de automóveis.

- As montadoras já têm toda a escala de produção e a estrutura do carro. Não seriam necessárias muitas alterações na linha de montagem.

E quanto custaria um kit de conversão? Segundo as estimativas de Elifas, de R$ 13 mil a R$ 15 mil.

- Com esse valor, o investimento pode ser recuperado no prazo de dois a cinco anos, já que a pessoa vai deixar de gastar com combustível. Além disso, um carro elétrico precisa de menos manutenção, sem troca de óleo, filtros, velas, bombas e outras partes.

Viabilidade 
Embora o engenheiro de Brasília admita que o projeto só possa se tornar viável se tiver custo acessível, ele diz acreditar que, acima tudo, o carro elétrico exige uma mudança de mentalidade, tanto do público consumidor quanto do governo.

- Hoje, eu classifico o carro como um bem durável, que não precisa ser trocado a cada três anos. O carro elétrico entra nesse contexto. Para que vire uma realidade, é preciso apoio das pessoas e do governo, com incentivos fiscais e suporte à indústria.

Apoio do público Elifas parece ter, já que ao menos 800 pessoas mostraram interesse em converter seus veículos. Quanto ao apoio governamental, ainda falta muito. Só o que o engenheiro conseguiu até agora foi a homologação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para carros convertidos com seu kit.






Para ter um veículo com emissão zero de gás carbônico, com ruído baixo e econômico, o militar da reserva e engenheiro de computação Elifas Gurgel, 58 anos, converteu, há quatro anos, um Gol 1.0. A transformação do primeiro carro de passeio elétrico de Brasília custou R$ 60 mil — R$ 33 mil só pela compra das 40 baterias de íon-lítio que o abastecem. O investimento no projeto começou a partir da viagem do engenheiro a Carolina do Sul, nos Estados Unidos, para participar de um seminário sobre como fazer automóveis movidos a energia a partir de modelos a combustão. Ele voltou e, em quatro meses, o Gol estava pronto. “Fiz cada solda. A escolha pelo elétrico foi por uma questão ecológica, pois os veículos são a segunda causa de poluição no mundo”, justifica.

O carro passou por várias alterações. No lugar do tanque, uma tomada industrial carrega o motor na garagem do prédio de Elifas. O porta-malas perdeu um quinto de espaço e o estepe para dar lugar a 30 células de energia, carregadores e sistema de gerenciamento — que monitora e evita comprometer a vida útil do equipamento. O interior não mudou muito; recebeu um voltímetro (para medir a tensão das baterias) e um amperímetro (para calcular a corrente instantânea que move o carro). Sob o capô, mais 10 células de energia, o motor elétrico, o controlador de energia, a bomba de vácuo para o freio e o sensor inercial completam as novidades. Na hora de dirigir, quase não se usa o câmbio e a embreagem. 

FONTE

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